Palestra com escritor Paulo Stucchi sobre romance histórico

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O romance Menina / Mitacuña, do autor e jornalista Paulo Stucchi, narra drama do povo paraguaio e dos soldados negros do exército brasileiro, misturando ficção e história.

Nesta quarta, dia 29/10, às 20h40, o jornalista, escritor e aluno da Escola Itu do Método DeRose, Paulo Stucchi, fará uma apresentação sobre seu livro “Menina / Mitacuña”.

A obra, 4º romance publicado por Stucchi, possui como pano de fundo a Guerra do Paraguai, narrando a história de um soldado negro, desertor do Exército Imperial do Brasil, e de uma menina guarani, que cultivam uma amizade fraterna e muda enquanto vagam pelo interior devastado do país. Unidos pela tragédia e pelo destino, ambos fogem pelo interior do país rumo a Assunção, enquanto são perseguidos por um grupo de soldados batedores sedentos de vingança.

O projeto, que nasceu como uma tese não-concluída de mestrado, é resultado de anos de pesquisa sobre a Guerra do Paraguai (ou Guerra da Tríplice Aliança). Nele, Stucchi tece fatos históricos e fictícios para construir a narrativa.

História

A Guerra do Paraguai é um dos episódios mais sangrentos da história da América do Sul, e uniu Brasil, Argentina e Uruguai contra o vizinho Paraguai de Solano López.
O conflito, que praticamente dizimou a população masculina ativa paraguaia, até hoje é alvo de estudos e controversas. O autor viajou para o interior do Paraguai e conversou com historiadores nativos, além de usar como fonte de pesquisa livros paraguaios e argentinos.
“Em linhas gerais, a visão que cada país tem da guerra é diferente”, explica Stucchi. “Ainda hoje, há diferentes correntes que defendem pontos de vista diversos sobre a guerra, como, por exemplo, o papel da Inglaterra como financiadora e, se Solano López era, ou não, um vilão de fato.”

Outros pontos históricos tratados no livro envolvem cenários de guerra, como a Batalha de Acosta Ñu (ou Campo Acosta), na qual 3.500 crianças paraguaias travestidas de soldados adultos foram massacradas pelas tropas lideradas pelo Conde d’Eu. Até hoje, a data (16 de agosto) é lembrada como Dia das Crianças no Paraguai.

“É notória a mágoa que os paraguaios nutrem contra figuras como o conde d’Eu, por exemplo”, diz Stucchi, que, no livro, retrata o nobre francês que liderou as tropas aliadas na fase final da guerra como vilão.

“Foi uma licença artística, na verdade. Não há fatos concretos de que o conde d’Eu tenha sido um psicopata, como a história paraguaia às vezes pinta. Na verdade, ele era europeu e, historicamente as guerras na Europa eram sangrentas.”
Entre os episódios atribuídos ao conde na Guerra está a tomada de Piribebuy (3ª capital provisória paraguaia na época da guerra) e a execução do general paraguaio Pablo Caballero. Além disso, é conhecido o massacre de feridos e idosos ordenado pelo conde – ele teria mandado lacrar um hospital e atear fogo, matando a todos queimados ou sufocados pela fumaça.

Espanhol

O livro também foi lançado no Paraguai e está disponível para leitura, em espanhol, com o título de Niña / Mitacuña. Inicialmente, os pontos de venda incluem as livrarias El Lector e ServiLibros (Assunção) e a livraria El Lector do shopping Pinedo em San Lorenzo.

Entrada franca | Mais informações: (11) 4023-6581

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